sexta-feira, 7 de maio de 2010

Firmin, de Sam Savage



A indicação para ler esse livro veio de minha irmã, leitora como eu das descobertas de livros feitas pelo meu pai, mas que também encontra preciosidades no universo literário.

Firmin é um rato que nasce nos porões de uma livraria localizada num bairro decadente de Boston nos anos 60s. Sua mãe, Mama Flo, gorda e alcoólatra, em busca de um lugar para parir, prepara um ninho feito com as páginas arrancadas do maior clássico da nossa literatura e também o menos lido de todos os tempos, Finnegans Wake, de James Joyce. De toda ninhada, Firmin é o mais fraco e nas andanças em busca de alimento, prefere devorar o acervo da livraria. Primeiramente, alimentando-se de papeis de boa qualidade e igual conteúdo. No entanto, ao aprender a ler, torna-se um leitor voraz, mas agora em outro sentido. Ele busca na leitura um sentido para sua vida.

A história é encantadora e a sua amizade com Jerry rende situações inusitadas.

O autor, Sam Savage, não é um revolucionário nem no âmbito das palavras nem na esfera da forma. O que ele faz é contar uma boa história de uma forma simples e emocionante.

Sobre o autor

Sam Savage fez doutorado em Filosofia onde foi professor. Com o tempo, abandonou ambas as profissões e trabalhou como mecânico de bicicletas, carpinteiro, pescador e tipógrafo. Enquanto era pescador, desenvolveu a sua escrita. Debaixo de mal tempo, Savage aproveitava para escrever. Após aposentar-se com 65 anos, Savage escreveu Firmin.

Curiosidades

Savage usa fatos da vida real – em Boston houve uma Scollay Square que foi demolida, houve uma livraria como a Pembroke, houve um cinema como o Rialto. Nas páginas Savage dá existência a um rato que tem consciência de ser o que é, ao mesmo tempo em que mostra sua paixão pela leitura.
   
Marca-livro

Sempre imaginei que a história de minha vida, se e quando eu a escrevesse, deveria ter uma primeira linha espetacular: alguma coisa lírica como "Lolita, luz da minha vida, fogo de minhas entranhas", de Nabokov; ou, se não conseguisse fazer algo lírico, alguma coisa dramática como "Todas as famílias felizes se parecem, mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira" de Tolstoi. As pessoas guardam essas palavras na memória mesmo quando já esqueceram todo o resto desses livros. Quando se pensa em aberturas, porém, a melhor de todas, para mim, é o começo de O bom soldado, de Ford Madox Ford: "Esta é a história mais triste que já ouvi". Li isso dezenas de vezes, e ainda me deixa de queixo caído. Ford Madox Ford era dos Grandes.

2 comentários:

Mayara Beckhäuser Dorta do Amaral disse...

Nai, vierei assidua do teu blog! Adoro tuas dicas de livro.
Beeeijos

Naiana Alberti disse...

querida! bom saber! assim escrevo mais. e vc tem um blog também né? vou segui-la. beijocas.