Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em casa poro, céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.
Os textos publicados não terão a ordem dos livros nem tampouco dos dicionários. Virão da desordem da vida, do improviso das águas, das impressões sobre qualquer coisa. Tudo que carregue o mistério de ser letra, verso, prosa. A única lógica será não ter lógica nenhuma. Pode ser que sirva, pode ser que exista, pode ser que dê. Quem sabe?
quinta-feira, 9 de julho de 2015
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Erudito e popular, José Pedro Goulart
O que não nos mata, nos torna mais fortes. - Nietzche
(O que não mata, engorda.)
Ser ou não ser, eis a questão. - Shakespeare
(Não sei se caso ou se compro uma bicicleta.)
O homem é ele e suas circunstâncias. - Ortega y Gasset
(Cada um no seu quadrado.)
Por delicadeza, perdi minha vida - Rimbaud
(Quem foi ao ar, perdeu o lugar.)
Cada momento na vida é um milagre que não se repete. - Fernando Pessoa
(Trepada adiada é trepada perdida.)
Só sei que nada sei. - Sócrates
(Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.)
O Universo é uma harmonia de contrários. - Pitágoras
(Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.)
(O que não mata, engorda.)
Ser ou não ser, eis a questão. - Shakespeare
(Não sei se caso ou se compro uma bicicleta.)
O homem é ele e suas circunstâncias. - Ortega y Gasset
(Cada um no seu quadrado.)
Por delicadeza, perdi minha vida - Rimbaud
(Quem foi ao ar, perdeu o lugar.)
Cada momento na vida é um milagre que não se repete. - Fernando Pessoa
(Trepada adiada é trepada perdida.)
Só sei que nada sei. - Sócrates
(Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.)
O Universo é uma harmonia de contrários. - Pitágoras
(Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.)
quarta-feira, 17 de junho de 2015
segunda-feira, 15 de junho de 2015
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Neve, de Orhan Pamuk
Agora que ambos fomos forçados ao exílio, sem ter conseguido realizar nada nem ter tido êxito em coisa alguma, nem mesmo em encontrar a felicidade, podemos pelo menos concordar que a vida foi dura! E tampouco basta ser poeta...e é por isso que a política lança sua sombra sobre nossas vidas. Mas mesmo se tivesse dito isso, nenhum dos dois teria coragem de acrescentar o que não podiam admitir para si mesmos: é por termos falhado em encontrar a felicidade na poesia que agora sentimos nostalgia da sombra da política.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
palavra por palavra
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| Analee Merino, Mujer Andina Alada |
talvez poesia em forma de
prosa. quem sabe uma prosa que fale de poesia. os pontos, as
vírgulas, as letras: todas do mesmo tamanho.pra você parar. respirar. absorver.
palavra por palavra. no mesmo tom, na mesma altura. que a letra se faz. pra você
mastigar. uma a uma. cada uma. das letras. sem a rapidez de quem parece que não
tem tempo. no tempo do entendimento. lentamente. devagar. há que me sentir por
inteira. completa. palavra por palavra.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Canção do dia de sempre, Mário Quintana
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
terça-feira, 28 de abril de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
horizonte
no passo, no regaço, na chuva emaranhada
nos fios soltos de tempo
e nos momentos
aqueles
em que
o átimo
toma a forma
da hora
o céu é teto
o mar
é chão
o vento janela
e você
h o r i z o n t e
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Aprendi com o Manoel
Aprendi com o Manoel que as coisas pequenas são grandes
e que o chão com suas miudezas não é menos poético do que as estrelas
Ele me ensinou a fotografar o silêncio e a desinventar objetos
a entender os delírios do verbo e a inventar memórias
aprendi com o Manoel que a filosofia está nas coisas simples
e que o olhar para as coisas desimportantes torna a alma mais tolerante
e mesmo no dia da sua partida
aprendi com ele
que ir
não é triste
é da natureza
domingo, 9 de novembro de 2014
Hábito II
Deixei as janelas abertas
pra noite escura
entrar
Nenhuma estrela sozinha
nem aquela companhia
só a vida acesa
dos vizinhos sós
das almas em sol
pra noite escura
entrar
Nenhuma estrela sozinha
nem aquela companhia
só a vida acesa
dos vizinhos sós
das almas em sol
Hábito
Deixei a dor remota
aquela coisa antiga
de humores impregnados
sair pela janela
aberta de mim
Qualquer resquício de pó
talvez uma nota perdida
insista em ficar
entre paredes
pelos cômodos
sobre objetos tolos
pelo hábito de continuar
aquela coisa antiga
de humores impregnados
sair pela janela
aberta de mim
Qualquer resquício de pó
talvez uma nota perdida
insista em ficar
entre paredes
pelos cômodos
sobre objetos tolos
pelo hábito de continuar
Seco
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
O Grito
![]() | |||
| El grito - Oswaldo Guayasamin |
O grito deixou marcas pela pele saiu surdo junto ao som de outro gritooo
Ele foi o eco de um relâmpago surgido em outro canto
existindo sonora definitiva liturgicamente aqui
Era mais do que um grito era
um lamento de outras vozes
era o nada do vazio era
a máscara sem rosto
era um ai um ui
um tudo
o todo
a sede
o escasso
o exagero
o frio
quinta-feira, 7 de março de 2013
Cântigo Negro, José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
segunda-feira, 4 de março de 2013
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