Mostrando postagens com marcador minha poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador minha poesia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de agosto de 2015

simplesmente




se não tivesse conhecido a Lua
no lastro da Terra
tudo seria diferente
nem pior nem melhor

simplesmente
d i f e r e n t e

e assim é 
para todas as coisas 
da vida




quarta-feira, 6 de maio de 2015

palavra por palavra

Analee Merino, Mujer Andina Alada

talvez poesia em forma de prosa. quem sabe uma prosa que fale de poesia. os pontos, as vírgulas, as letras: todas do mesmo tamanho.pra você parar. respirar. absorver. palavra por palavra. no mesmo tom, na mesma altura. que a letra se faz. pra você mastigar. uma a uma. cada uma. das letras. sem a rapidez de quem parece que não tem tempo. no tempo do entendimento. lentamente. devagar. há que me sentir por inteira. completa. palavra por palavra.



terça-feira, 5 de maio de 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

horizonte






no passo, no regaço, na chuva emaranhada 
nos fios soltos de tempo


e nos momentos 
aqueles
em que 
o átimo

toma a forma
da hora

o céu é teto

o mar 
é chão

o vento janela

e você 

h o r i z o n t e 






quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Aprendi com o Manoel



Aprendi com o Manoel que as coisas pequenas são grandes
e que o chão com suas miudezas não é menos poético do que as estrelas

Ele me ensinou a fotografar o silêncio e a desinventar objetos
a entender os delírios do verbo e a inventar memórias

aprendi com o Manoel que a filosofia está nas coisas simples
e que o olhar para as coisas desimportantes torna a alma mais tolerante

e mesmo no dia da sua partida
aprendi com ele
que ir
não é triste
é da natureza

domingo, 9 de novembro de 2014

Na passagem da tarde

na tarde ensolarada
o dia em pássaros
em sons que marcam
a passagem do dia


Hábito II

Deixei as janelas abertas
pra noite escura

entrar

Nenhuma estrela sozinha
nem aquela companhia

só a vida acesa
dos vizinhos sós
das almas em sol





Hábito

Deixei a dor remota
aquela coisa antiga

de humores impregnados
sair pela janela
aberta de mim

Qualquer resquício de pó
talvez uma nota perdida
insista em ficar

entre paredes
pelos cômodos
sobre objetos tolos

pelo hábito de continuar

Seco

Egon Schiele

Viver em solo seco
em séquito mudo.

Fazer oco o mundo
Dar eco à seiva

Desfilar montanhas
Alinhar o tempo

Secar a alma muda
no braço vivo

da terra.




segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Grito


El grito - Oswaldo Guayasamin

O grito deixou marcas pela pele saiu surdo junto ao som de outro gritooo
Ele foi o eco de um relâmpago surgido em outro canto
existindo sonora definitiva liturgicamente aqui

Era mais do que um grito era
um lamento de outras vozes
era o nada do vazio era
a máscara sem rosto
era um ai um ui
um tudo
o todo

a sede
o escasso
o exagero
o frio



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

temporal


tempo
às vezes é só o que precisamos

mas o tempo tem seu tempo
nem lento, nem rápido demais
(e não adianta querer apressá-lo
de birra, ele se demora mais...)

e o que nos resta é viver no segundo
que se apresenta, seja ele triste, duro
saudoso ou poeta

nos minutos das noites insones
das manhãs musicais, do vento que varre
a casa, do choro incontido que lava
a alma, do café passado, da página virada

viver até que o tempo passe e as coisas
que nos prendem ao tempo se desprendam
de nós

amiga, o que precisamos, sempre, é de tempo
(não desejo que o tempo passe logo pra vc
desejo que você passe bem pelo tempo)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Desalinhando o tempo


ela tinha caminhado
tinha chegado até ali

sem olhar fotografias
tinha desalinhado
                        as memórias
orientado o tempo
para desfazer
o que não fez





segunda-feira, 17 de setembro de 2012

um sei lá

chuva
uma torrente de pedaços de trechos de poesia de chá de dúvidas
memórias do Drummond
retratos do Manoel
rebanhos do Caeiro
pestanas da Tulipa
às vezes penso que não cabe em mim tudo
e tanto
às vezes acordo sem vontade de ser
às vezes 
nem sou 







sexta-feira, 27 de julho de 2012

A mulher do tempo

estão dizendo
na televisão 
que a massa fria
vai se encontrar 
com a massa quente

deve acontecer aí

(no meio do céu)
uma comunhão de ares
nuvens se unindo
num balé climatizado

estão dizendo que será um final de semana quente
                                                         em quase todo país
o que não dizem

(e vou dizendo)

é que não importa
a massa fria
nem o ar quente
quando 
dentro da gente 

o clima é bom.

O coração

o coração deu de giros
rodopiou feito um pobre
                            cão.

sábado, 21 de janeiro de 2012

domingo, 18 de dezembro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

abri as janelas da casa

abri as janelas da casa
cortinas afastadas
dos seus afazeres solares
dispostas numa dança
com o vento


lavei os lençois 
que há pouco dormiam 
amassados de sono
com suas dobras marcando 
a passagem do tempo


pendurei 
pensamentos
lado a lado 
sem presilhas
só dobrados
equilibrados
por um fio


joguei os restos
de tudo fora


guardei o inútil
na gaveta 
e a gaveta
pela janela


já sem nada por fazer
estendi minha alma no varal
as pernas frias para cima
enquanto os móveis da casa
mudavam de cor