Os textos publicados não terão a ordem dos livros nem tampouco dos dicionários. Virão da desordem da vida, do improviso das águas, das impressões sobre qualquer coisa. Tudo que carregue o mistério de ser letra, verso, prosa. A única lógica será não ter lógica nenhuma. Pode ser que sirva, pode ser que exista, pode ser que dê. Quem sabe?
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
temporal
tempo
às vezes é só o que precisamos
mas o tempo tem seu tempo
nem lento, nem rápido demais
(e não adianta querer apressá-lo
de birra, ele se demora mais...)
e o que nos resta é viver no segundo
que se apresenta, seja ele triste, duro
saudoso ou poeta
nos minutos das noites insones
das manhãs musicais, do vento que varre
a casa, do choro incontido que lava
a alma, do café passado, da página virada
viver até que o tempo passe e as coisas
que nos prendem ao tempo se desprendam
de nós
amiga, o que precisamos, sempre, é de tempo
(não desejo que o tempo passe logo pra vc
desejo que você passe bem pelo tempo)
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Desalinhando o tempo
ela tinha caminhado
tinha chegado até ali
sem olhar fotografias
tinha desalinhado
as memórias
orientado o tempo
para desfazer
o que não fez
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
um sei lá
uma torrente de pedaços de trechos de poesia de chá de dúvidas
memórias do Drummond
retratos do Manoel
rebanhos do Caeiro
pestanas da Tulipa
retratos do Manoel
rebanhos do Caeiro
pestanas da Tulipa
às vezes penso que não cabe em mim tudo
e tanto
e tanto
às vezes acordo sem vontade de ser
às vezes
nem sou às vezes
terça-feira, 31 de julho de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
Cervantes e Picasso
Só para mim nasceu Dom Quixote e eu para ele:
ele para praticar ações e eu para escrevê-las. Somos um só.
Odes, Ricardo Reis
Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo...
Minha rua está cheia de pregões, Mario Quintana
Minha rua está cheia de pregões.
Parece que estou vendo com os ouvidos:
“Couves! Abacaxis! Caquis! Melões!”
Eu vou sair pro Carnaval dos ruídos,
Mas vem, Anjo da Guarda… Por que
pões
Horrorizado as mãos em teus ouvidos?
Anda: escutemos esses palavrões
Que trocam dois gavroches atrevidos!
Pra que viver assim num outro plano?
Entremos no bulício quotidiano…
O ritmo da rua nos convida.
Vem! Vamos cair na multidão!
Não é poesia socialista… Não,
Meu pobre Anjo… É… simplesmente… a
Vida!...
sexta-feira, 27 de julho de 2012
A mulher do tempo
estão dizendo
na televisão
na televisão
que a massa fria
vai se encontrar
com a massa quente
deve acontecer aí
(no meio do céu)
(no meio do céu)
uma comunhão de ares
nuvens se unindo
num balé climatizado
estão dizendo que será um final de semana quente
em quase todo país
o que não dizem
(e vou dizendo)
(e vou dizendo)
é que não importa
a massa fria
nem o ar quente
quando
nem o ar quente
quando
dentro da gente
Passeio Suburbano, Mario Quintana
Encontrei uma menina
Que me perguntou se era verdade que
iam demolir
aquele
belíssimo pé de figueira.
Não, ela não disse belíssimo...
Foi por uma questão de ritmo que
acrescentei aqui esse
adjetivo
inútil.
Feliz de quem vive ainda no mundo
dos substantivos:
o resto é literatura...
Sorri-lhe cumplicentemente
(e tristemente)
porque me lembro que em meio ao
quintal lá de casa
havia uma paineira enorme
(ultrapassava em altura o primeiro
andar de meu quarto)
Quando florescia, era uma glória!
Talvez fosse ela que impediu que
meus sonhos de menino
solitário
tenham sido todos em preto-e-branco
Uma glória... Até que um dia
foi posta abaixo
simplesmente
"porque prejudicava o
desenvolvimento das árvores
frutíferas".
Ora, as árvores frutíferas!
Bem sabes, meninazinha, que os
nossos olhos também
precisam de alimento.
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