Eu existo.
Os textos publicados não terão a ordem dos livros nem tampouco dos dicionários. Virão da desordem da vida, do improviso das águas, das impressões sobre qualquer coisa. Tudo que carregue o mistério de ser letra, verso, prosa. A única lógica será não ter lógica nenhuma. Pode ser que sirva, pode ser que exista, pode ser que dê. Quem sabe?
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
O que é preciso
Se o outro fuma e você não, não significa que você deva fumar também para manter uma boa convivência. Mas porque com relação a comportamento muitas pessoas se moldam ao outro para poderem conviver bem? Se houvesse respeito, isso jamais seria preciso acontecer. Se realmente respeitássemos o outro, como ele pensa, o que ele faz da sua própria vida, entenderíamos que a diferença enriquece a humanidade.
é isso
não é porque as pessoas não pensam ou sentem ou agem como você que você deve deixar de pensar ou sentir ou agir da sua forma para conviver com elas. ir contra os seus princípios é uma forma de agressão. uma situação dessas não se sustentaria por muito tempo. você ainda corre o risco de projetar sobre o outro a sua insatisfação em estar indo contra a si mesmo. é isso.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Cataléctico
Acesse o novo Blog do Kiefer só com os melhores poemas surgidos nas suas oficinas de escrita. O
último post são poemas escritos por mim. Acesse, leia e comente!
Âmbar, Adriana Calcanhoto
Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos
As sem-razões do amor , Drummond
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
No quarto escuro da noite
No quarto escuro da noite
teus olhos
caiam
sobre os meus
fecharam-se
de sono
Pelos vidros da janela
o vento em folhas
me fez dia
e um suave ruído seu
me acordou
pra vida
Do outro lado da rua
as pedras
banhavam-se
de rio
No quarto escuro de mim
meus olhos
caiam
sobre os teus
abriram-se
de sonho
Pelos vidros da janela
a lamparina da rua
se fez lua
e um leve toque seu
me acordou
pra noite
Do outro lado da rua
as pedras
secavam-se
de lua
teus olhos
caiam
sobre os meus
fecharam-se
de sono
Pelos vidros da janela
o vento em folhas
me fez dia
e um suave ruído seu
me acordou
pra vida
Do outro lado da rua
as pedras
banhavam-se
de rio
No quarto escuro de mim
meus olhos
caiam
sobre os teus
abriram-se
de sonho
Pelos vidros da janela
a lamparina da rua
se fez lua
e um leve toque seu
me acordou
pra noite
Do outro lado da rua
as pedras
secavam-se
de lua
sábado, 7 de agosto de 2010
Assim
essa coisa sem nome que inventamos de viver, pode ser qualquer coisa, pode ser tudo, pode ser nada. mas cada instante que vivo esse viver inventado é como se o mundo parasse. é como se o tempo mudasse seu rumo.
sem peso, bem leve, sem mais nem por que. sem medo, sem travas, sem isso ou aquilo.
tô adorando viver assim.
sem peso, bem leve, sem mais nem por que. sem medo, sem travas, sem isso ou aquilo.
tô adorando viver assim.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Passo
Passou o dia por mim
a história já feita
com seus segundos
em meus ponteiros
o dia foi lento
arrastado
vagaroso
(no meu pensar)
Passa a noite em mim
a história por contar
com seus segredos
em meus ouvidos
a noite é vasta
imensa
clara
(no meu pesar)
a história já feita
com seus segundos
em meus ponteiros
o dia foi lento
arrastado
vagaroso
(no meu pensar)
Passa a noite em mim
a história por contar
com seus segredos
em meus ouvidos
a noite é vasta
imensa
clara
(no meu pesar)
Poema reescrito, mais uma vez
Há tanto o que combinar
Há tanto o que combinar:
a música na poesia do dia
a palavra no verso da vida
e o desejo
em todo momento
de existir inteiro
Há beijos
que soltos se enlaçam
uns aos outros...
Há pernas
que tolas se amarram
umas nas outras...
Há tanto o que combinar:
as ondas na orla do dia
a palavra na prosa da vida
e o desejo
em todo momento
de existir inteiro
Há olhos
que lassos se entregam
uns aos outros...
Há mãos
que vazias se enchem
umas das outras...
Há tanto o que combinar:
a sede na fome do dia
a palavra no descanso da vida
e o desejo
em todo momento
de existir inteiro
Há pensamentos
que ditos se unem
uns aos outros...
Há roupas
que rotas se tocam
umas às outras...
Há tanto o que combinar:
os caminhos no fim do dia
a palavra no cheiro da vida
e o desejo
em todo momento
de existir inteiro
Há tanto o que combinar...
Há tanto o que combinar:
a música na poesia do dia
a palavra no verso da vida
e o desejo
em todo momento
de existir inteiro
Há beijos
que soltos se enlaçam
uns aos outros...
Há pernas
que tolas se amarram
umas nas outras...
Há tanto o que combinar:
as ondas na orla do dia
a palavra na prosa da vida
e o desejo
em todo momento
de existir inteiro
Há olhos
que lassos se entregam
uns aos outros...
Há mãos
que vazias se enchem
umas das outras...
Há tanto o que combinar:
a sede na fome do dia
a palavra no descanso da vida
e o desejo
em todo momento
de existir inteiro
Há pensamentos
que ditos se unem
uns aos outros...
Há roupas
que rotas se tocam
umas às outras...
Há tanto o que combinar:
os caminhos no fim do dia
a palavra no cheiro da vida
e o desejo
em todo momento
de existir inteiro
Há tanto o que combinar...
terça-feira, 3 de agosto de 2010
A arte e a verdadeira medida das coisas, Ana Flores
"Normalmente gosto de ir sozinha a museus. Acredito que cada pessoa tenha o seu próprio tempo para apreciar uma obra de arte e isso depende da cultura, da sensibilidade, do gosto e dos interesses de cada um. Certa vez fiquei 50 minutos contemplando A Primavera, quadro de Botticelli, simplesmente porque isso me dá prazer, me renova. Sei que passar tanto tempo assim na frente de um quadro deve ser um saco e incompreensível para muitas pessoas. Também tenho a consciência de que dificilmente encontraria alguém que me acompanhasse nessa viagem, por isso, repito, gosto de ir sozinha a museus.
Numa tarde de chuva fui ao Margs com uma amiga para ver a exposicão do Portinari. Tudo correu bem, ufa. Exposição excelente. A companhia certa. Nossos timings estavam ajustados. Ela não precisou ficar me esperando na saída do museu. Eu não fiquei com a sensação de ter perdido nada, ví todos os detalhes que quis. Vimos juntas. Compartilhamos. Mas mais do que isso, entramos falando da vida e saímos vivendo - como ela escreveu.
Antes de entrar na exposição, tomávamos um café (os cafés sempre fazem parte das minhas visitas aos museus, ou eles aparecem antes ou depois) e conversávamos sobre relacionamentos. Uma conversa densa. Tensa. Amarrada. Cheia de dúvidas e suposições. Tantos rodeios. Especulações. Sei lá, falamos tanta coisa. E que mania essa que a gente tem de imaginar o que se passa dentro da cabeça do outro... Bem, fim da conversa, início da exposição. Pinturas, desenhos e ilustrações. Dom Quixote e Sancho Pança. Um sapateiro ou um engraxate? O menino do engenho e pronto, ao sair do museu tudo se fez claro. A situação era a mesma mas já não tinha mais o mesmo peso. O peso que nós colocamos nas coisas! Até parece que perdeu a importância, falamos. A importância que damos para determinadas situações! Parece que o problema encolheu, pensei. Os problemas são do tamanho que damos a eles.
É impressionante como a arte nos desperta e nos mostra a verdadeira medida das coisas. Moral da história: não entre na nóia, vá a um museu. Abra um livro. Leia uma poesia. Risque e rabisque. Tá triste? Ouça uma música. E depois me conte se as coisas não se ajustaram melhor."
Eu complementaria...leia todos os dias o blog da Ana.
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