Tudo o que perdestes, me disseram, é teu.
Os textos publicados não terão a ordem dos livros nem tampouco dos dicionários. Virão da desordem da vida, do improviso das águas, das impressões sobre qualquer coisa. Tudo que carregue o mistério de ser letra, verso, prosa. A única lógica será não ter lógica nenhuma. Pode ser que sirva, pode ser que exista, pode ser que dê. Quem sabe?
domingo, 8 de maio de 2011
Curriculum, Mário Benedetti
A história é muito simples
você nasce
contempla atribulado
o vermelho azul do céu
o pássaro que emigra
o primitivo inseto
que seu sapato amassará
valente
você sofre
reclama por comida
e por costume
por obrigação
chora limpo de culpas
esgotado
até que o sono o desqualifica
você ama
se transfigura e ama
por uma eternidade tão provisória
que até o orgulho se torna terno
e o coração, profético
se converte em escombros
você aprende
e usa o que aprendeu
para tornar-se lentamente sábio
para saber que por fim o mundo é isso
em seu melhor momento uma lembrança
em seu pior momento um desamparo
e sempre sempre
um rolo
então
você morre
você nasce
contempla atribulado
o vermelho azul do céu
o pássaro que emigra
o primitivo inseto
que seu sapato amassará
valente
você sofre
reclama por comida
e por costume
por obrigação
chora limpo de culpas
esgotado
até que o sono o desqualifica
você ama
se transfigura e ama
por uma eternidade tão provisória
que até o orgulho se torna terno
e o coração, profético
se converte em escombros
você aprende
e usa o que aprendeu
para tornar-se lentamente sábio
para saber que por fim o mundo é isso
em seu melhor momento uma lembrança
em seu pior momento um desamparo
e sempre sempre
um rolo
então
você morre
segunda-feira, 25 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Por José Paulo Paes
domingo, 17 de abril de 2011
meu retrato
com braços largos
lado a lado
em corpo baço
faço desse instante
o meu retrato
com ossos duros
face a face
cabeça baixa
aspirina e nervos
de plástico
quinta-feira, 14 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
tem poesia
tem poesia no concreto
no verso de esquina
tem rima rica no asfalto
depois da chuva fria
ruelas becos e escadarias
estrofes riscadas em ruínas
escuras linhas de poeta
mapa métrico de sílabas
tem poesia no viaduto
estrofes riscadas em ruínas
escuras linhas de poeta
mapa métrico de sílabas
tem poesia no viaduto
no soneto de avenida
tem verso livre no muro
ao lado da lata vazia
ruelas becos e escadarias
estrofes riscadas em ruínas
escuras linhas de poeta
mapa métrico de sílabas
a poesia é o concreto de quem vê
ao lado da lata vazia
ruelas becos e escadarias
estrofes riscadas em ruínas
escuras linhas de poeta
mapa métrico de sílabas
a poesia é o concreto de quem vê
quarta-feira, 30 de março de 2011
não diga nada
não diga nada não
deixe o tempo costurar
essa linha nossa trança
tua dança meu enlevo
não diga nada nem não
pro tempo poder sarar
essa lua nosso verso
teu enredo meu fervor
tampouco pense
o tempo faz passar
sem pesar nem dó
a tristeza
e a solidão
deixe o tempo costurar
essa linha nossa trança
tua dança meu enlevo
não diga nada nem não
pro tempo poder sarar
essa lua nosso verso
teu enredo meu fervor
tampouco pense
o tempo faz passar
sem pesar nem dó
a tristeza
e a solidão
Boda Espiritual, Manuel Bandeira
Tu não estás comigo em momentos escassos:
No pensamento meu, amor, tu vives nua
- Toda nua, pudica e bela, nos meus braços.
O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende a tua cabeça. Eu amacio-a... Afago-a...
Ah, como a minha mão treme... Como ela é tua...
Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra d'água.
Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso...
Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo...
E te amo como se ama um passarinho morto.
No pensamento meu, amor, tu vives nua
- Toda nua, pudica e bela, nos meus braços.
O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende a tua cabeça. Eu amacio-a... Afago-a...
Ah, como a minha mão treme... Como ela é tua...
Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra d'água.
Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso...
Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo...
E te amo como se ama um passarinho morto.
terça-feira, 29 de março de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)

























