sábado, 18 de dezembro de 2010

20 anos recolhidos, Chacal

chegou a hora de amar desesperadamente
                                     apaixonadamente
                                     descontroladamente
chegou a hora de mudar o estilo
                       de mudar o vestido
chegou atrasada como um trem atrasado
mas que chega

Tetro, Copolla

Apenas dois horários para assisti-lo, cinco da tarde ou meia-noite. Mesmo assim, não conseguiram me fazer não ir! Fui e ainda levei a Ana comigo. Sala vazia e o ar-condicionado no máximo. Tudo bem, eu aguento. Afinal, queria muito ver o último do Copolla, depois de 10 anos sem ele. Filme começando, luzes se apagando. (Esse momento do cinema é mágico. Limite entre a realidade e a hiperrealidade da tela, que se abre de repente.) Ah, primeira cena e eu já com a certeza de estar no lugar certo na hora certa na companhia certa e na temperatura errada. As cenas em preto e branco formam um jogo envolvente de luz, de sombras e de espelhos. Os reflexos também estão entre os personagens, que se vêem uns nos outros e na história que se revela aos poucos, feito imagem que aparece conforme a quantidade de luz que há nela. As tomadas são olhares novos sobre coisas velhas. Drama visto de cima, de baixo, do meio. Um filme que tem a música dentro da cena e Buenos Aires por cidade. Lindo!


Primeiro eu quero falar de amor, Chacal


meu amor se esparrama na grama
     meu amor se esparrama na cama
meu amor se espreguiça
     meu amor deita e rola no planeta

sonho

acordei com você na minha cama...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

vá e volte

corro de mim
entre ideias
e não tê-las

acabo em ti
no teu corpo
em teu alento

vasculho minha pele
e te encontro sempre

na escuridão 
de ser dentro

na vastidão 
de ser fora

(venha partilhar 
meus pensamentos

venha dormir
minhas ideias)

vá e volte
...e fique

somente só

ser só
e somente

não ser
só existir

só sentir vento
só chorar de chuva
só cair de velha

ri

era tanta gente
era tanta alegria
que fiquei feliz
de ser assim
feliz entre gente 
que ri

sem você

sem você 
minha casa
perde parede

é vento por todo lado
chuva frio e solidão

em construção

temporariamente
fora de mim
por razões
inexplicáveis

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

meus sois


de repente
tuas mãos
queimaram
minha pele
feito sol
do meio-dia

e meus olhos
foram teus
enquanto
tua boca
na minha
ensolarava

e no fim
das horas
teu gosto
salivava
meus sais
em sois



sem pensar

já não sei se beijo 
ou se deixo de beijar
fico em dúvida 
se escrevo 
ou se me calo 
sem pensar

por você, a vida

quando você não escolhe...a vida escolhe por você.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

responde?

às vezes você espera uma resposta, mas ela não vem.

será?

parece que nunca vou crescer. 
a sensação de ser adulta não vem. 
tenho sempre a percepção de que depois de amanhã, e só depois, cresço.
será?

o mundo gira

o mundo gira para que as pessoas se encontrem do outro lado do mundo.